Malu Fragoso
Currículo

Currículo

Link para currículo acadêmico Lattes: http://lattes.cnpq.br/6228855946764716

 Maria Luiza Pinheiro Guimarães Fragoso (Malu Fragoso)

Data de Nascimento 10/06/1962

malufragoso@gmail.com 

https://nano.eba.ufrj.br/author/malufragoso/

www.tracaja-e.net

Maria Luiza (Malu) Fragoso é uma artista pesquisadora e professora brasileira. Obteve seu doutorado em Artes e Multimeios pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), São Paulo (2003) onde desenvolveu pesquisa sobre experimentações artísticas em telemática e Pós-Doutorado pela Escola de Arte e Comunicação da Universidade de São Paulo ( 2014) e artista Pesquisadora em Pós-Doutorado na École de Beaux-Arts de Nantes, França (2024). Fragoso trabalhou entre 1993 e 2009 no Instituto de Artes da Universidade de Brasília, e , entre 2009 e 2025 na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi coordenadora do NANO - Núcleo de Arte e Novos Organismos entre 2010 e 2025, atualmente atuando como pesquisadora colaboradora. Trabalha hoje como consultora para eventos, exposições e cursos em Arte e Tecnologia. Atualmente faz parte da equipe do projeto EBAT - Escola Brasileira de Arte e Tecnologia (ebat.com.br) no Rio de Janeiro. Nesse contexto, desenvolve práticas artísticas que abordam a interação entre o conhecimento tradicional e o conhecimento científico, com foco em experiências com trabalhadores da terra e culturas indígenas brasileiras, desenvolvendo um corpo de trabalho consistente, teórico e prático, na intersecção da arte, da ciência, tecnologia e natureza. Estas obras, que constituem uma zona híbrida entre vida orgânica e artificial, incluindo plantas, abelhas, bactérias etc., são inspiradas na natureza e em modelos de pensamento que vão do conhecimento científico ao ancestral, como as tradições indígenas ameríndias e as culturas orientais. Em 2005, juntamente com os artistas Tania Fraga e Wagner Barja, publicou o livro e catálogo da exposição “>= 4D. Arte Computacional no Brasil”. Em 2014, foi produtora e organizadora dos anais e do evento “CAC.4 Congresso de Arte Computacional no Rio de Janeiro”. Juntamente com Guto Nóbrega, no NANO Lab, foram organizados e publicados quatro livros da coleção “Hiperorgânicos” pela Fragoso e Nóbrega, com um grande compêndio de artigos sob os temas “Ressonâncias. Arte, Hibridização e Biotelemática” (2015), “Reconexões Ancestrofuturistas” (2020), “Arte, Consciência e Natureza. Criar, Cultivar, Conectar” (2021) e “Cosmogonias e Arte Vegetal” (2024).

Projetos artísticos recentes:

Série Compostagens (2024 - ) -Compostagem#3 reune um recipiente de vidro dentro do qual foram colocados resíduos orgânicos.  Junto aos resíduos foram colocadas folhas secas coletadas no Morro da Saúde, bairro Gamboa (RJ), e micro-organismos coletados dentro do terrário instalado no OpenLab do evento Hiperorgânicos 12. Sob a tampa do recipiente  foi instalada uma central de controle do ambiente que monitora umidade e temperatura do processo de compostagem. Esses dados são enviados pela internet para a nuvem e posteriormente compartilhados abertamente. A série “Lixo não Existe” teve início durante oficina realizada por Malu Fragoso e Jules Bassene, com a colaboração da COPOC - Recuperateque da Escola de Belas Artes de Nantes, em abril de 2024. 

Projeto Néctar (2024-2025 ) - NÉCTAR- A partilha de alimentos é uma instalação artística telemática urbana que tem como referência um favo de mel, típico das abelhas apis. Formada por um conjunto de caixas de madeira hexagonais, é possível forrar paredes de qualquer dimensão, criando um volume capaz de armazenar alimentos variados. Cada caixa possui uma abertura e um sistema eletrônico que deve ser acionado pela pessoa que doar o alimento, indicando o tipo de alimento. Os tipos de alimentos podem ser categorizados pela tabela da pirâmide alimentar humana, e cada um possui uma cor definida por leds. A instalação convida a comunidade a criar e oferecer, voluntariamente, uma reserva de alimentos, para a própria comunidade. Caixas são escolhidas livremente e cores são designadas pelas pessoas. Conforme se somam ou se subtraem os alimentos composições são criadas fornecendo uma visualização de dados que expressa características daquela comunidade. Os mesmos dados são transmitidos para um servidor que reúne dados dos vários favos espalhados pelos bairros das cidades e expõem as condições de fome e de voluntariado de cada uma delas. Em 2024 foi apresentado o primeiro módulo da obra na exposição EmMeio#16, de setembro a novembro 2024, no Museu Nacional da República, Brasília. Na exposição EmMeio#16 foi montado no formato uma imagem criada em IA, adesivada na parede, ocupando uma área aproximada de 1m (L) x 2m (A), e fixado, num ponto dessa imagem, um alvéolo de madeira com o sistema interativo. O alvéolo tinha uma porta, e assim como as abelhas, foi possível fechar e proteger os alimentos. Na frente do alvéolo estava um botão que ao ser rotacionado modificava a cor no interior do objeto, a escolha da cor se deu pelo tipo de alimento de acordo com instruções de um algoritmo impresso, colocado ao lado da obra, onde estavam descritos os procedimentos junto a uma pirâmide alimentar. Ao colocar o alimento a pessoa girava o botão da cor correspondente e fecha o alvéolo. A porta do alvéolo é translúcida, para que se veja o alimento e a cor da luz. 

We Bees – (2015-2025) dá continuidade ao projeto S.H.A.S.T. na disseminação da experiência com abelhas, criando um módulo que possibilita uma experiência quase-abelha para humanos. O objeto é uma “colmeia” em formato ovalado, construída em origami de papel cartão pardo, suspensa por cabos de aço, sustentando um sistema IoT e um terrário florido. O objeto completo permite a entrada de uma pessoa e oferece uma imersão num ambiente de abelhas, com penumbra, cheiro e sons. A última montagem foi em setembro 2023 no Museu Nacional da República durante exposição coletiva de Arte e Tecnologia EmMeio #15, Brasília (BR).

Projeto S.H.A.S.T. (2012-2024)- Sistema de Habitação para Abelhas Sem Teto. Consiste num sistema que visa integrar colmeias ativas com espaços urbanos e/ou espaços culturais e pedagógicos por meio da telemática. Envolve a princípio investigações no campo da arte, biologia, urbanismo, design e tecnologia IoT. A obra baseia-se num sistema hiperorgânico integrado, onde um organismo vivo (colmeia) está ligado a um sistema telemático (IoT) e em conjunto produzem e transmitem dados, que são interpretados por outros organismos vivos, que novamente emitem dados, que podem retornar para o sistema original ou expressar o processo no contexto da criação artística. Tudo começou com uma vista a um território sagrado protegido por abelhas na aldeia indígena Kaimbé, no estado da Bahia (BR), o agravamento da crise de desaparecimento das abelhas no campo e a crescente população de enxames no contexto urbano brasileiro. Baseando-se na importância das abelhas para o nosso planeta, a proposta inicial foi de monitorar e capturar os exames urbanos, de forma a resgatar as rainhas e suas famílias, sem mata-las, e transferir esses enxames para produtores rurais orgânicos. Dessa forma, criar um sistema de preservação da espécie Apis mellifera e contribuir para a produção de alimentos saudáveis. Foram desenvolvidos protótipos, objetos, sistemas IoT, testes e colhidos dados. A proposta se desenvolveu de forma mais artística com a criação de visualizações de dados, performances (presenciais, em vídeo e em Realidade Virtual) e objeto imersivo. O trabalho está relacionado a questões de ecologia humana e equilíbrio biológico com base no conhecimento científico e tradicional, passando pelo problema da sustentabilidade urbana. A produção é categorizada como arte interativa, ou instalação computacional interativa em telemática. O projeto artístico e seus conceitos são compartilhados com artistas, estudiosos e apicultores de diversas partes do país.